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| 2009-04-01 de Dr Ademir Júnior – Medicina Capilar (Tricologia) | A história do boné, do garoto e da careca

Era uma vez um garoto que com seus 18 anos começou a dar sinais de que estava ficando careca. O problema era que aquele garoto era adepto do uso de boné desde os 13 anos e o pai do garoto vivia insistindo que o boné era o motivo da chegada da calvície.
O pai dizia, Garoto, não use boné. Usar boné vai te deixar careca.E o garoto não ouvia. Ele sabia que o pai era careca e que nunca tinha usado boné quando era jovem, logo, não seria o boné qu o deixaria careca.
Um dia o garoto começou a perceber que estava perdendo cabelos e que em algumas áreas do seu couro cabeludo já se notavam falhas. Olhando no espelho, depois de ter lavado a cabeça se sentiu mal, afinal gostava muito de seu cabelo apesar de deixá-lo sempre escondido debaixo do boné.
Mas o que fazer agora? Pensou o garoto. Vou sair sem boné? Desse jeito minha careca vai aparecer e eu não vou ter como escondê-la. Decidiu-se então continuar usando o boné, mesmo sendo este um dos possíveis motivos para a sua queda de cabelo. Entre outras coisas evitaria as gozações dos amigos que não teriam como ver sua careca.
Junto com a careca começou a perceber um couro cabeludo oleoso, ensebado, com espinhas e até mesmo uma certa irritação. Nò deu muito valor a isto, estava mais preocupado com a queda dos cabelos do que com o couro cabeludo. Se não tivesse com os cabelos ralos certamente não teria percebido que o couro cabeludo estava com problemas.
Como a decisão de usar boné o tempo todo dali para frente estava tomada, foi a uma loja onde sabia que eram vendidos bonés de diversas marcas e cores e comprou três logo de cara. Passaria a usar bonés combinando com suas roupas. Saiu feliz da loja.
Com o tempo foi percebendo maior queda, maior inflamação do couro cabeludo e também agora uma coceira chata, que o deixava muito incomodado. A careca já não era apenas um problema estético, mas estava acompanhada de sintomas que o incomodavam.
Foi ficando deprimido todas as vezes que tinha de tirar o boné para tomar banho e lavar a cabeça. Os pais quase já não o viam mais sem o boné, até na piscina certa vez entrou com o boné, evitando claro de molhar a já extensa careca.
Um dia, sem outra alternativa chegou ao pai pedindo ajuda. Tirou o boné e mostrou a extensão da perda capilar e também da dermatite de couro cabeludo que ali se apresentava. O pai evitou comentários ou reprovações. Simplesmente entendeu o filho, afinal ele também já havia passado pela perda de cabelos. Decidiram marcar um médico para ver o que era possível ser feito.
Ao chegar ao médico as explicações foram diversas. Entre elas a de que os bonés podem sim acelerar a queda capilar e ser fonte de contaminação de microorganismos que virão a causar dermatites como aquelas que ali estavam. Disse também que o boné certamente não foi a causa principal da queda, uma vez que a genética do pai era o verdadeiro fator causal e novamente reforçou que o boné só teve o papel de acelerar o quadro.
Orientou tratamentos para a queda capilar e para a dermatite.
Comentou que o garoto deveria se limitar a usar o boné apenas em casos em que fosse se expor ao sol, uma vez que as áreas calvas ficam mais sugeitas às agressões causadas pelas radiações solares que com o tempo podem causar câncer de pele. Porém não descartou o uso de filtros de proteção solar específicos para os cabelos e couro cabeludo que, neste caso poderiam substituir o boné.
Reforçou o fato de que bonés devem ser higienizados sempre pois são fontes de contaminação por microorganismos.
Comentou ainda que há sempre soluções para quedas capilares, medicamentosas ou não. Que se os medicamentos não fizerem efeito que o paciente pode inclusive fazer cirurgia de transplante capilar. Mas que o ideal é tratar sempre que o quadro começa a se fazer presente, já que prevenir a queda é sempre mais fácil do que recuperar áreas de calvície mais extensas.
De lá pai e filho sairam decididos. O filho de que iria assumir o seu estado atual e tratar da melhor maneira possível para manter e recuperar os cabelos perdidos. O pai, que sonhava em ter cabelos novamente, de que iria procurar um cirurgião e partir para um transplante de cabelos.

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